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Como a carta do dia é escolhida: quinários, decanatos e a ordem caldeia

Não é sorteio. A carta que rege o dia vem de uma roda fixa de 365 dias, montada com os 36 decanatos dos egípcios, a ordem caldeia dos planetas e as cartas menores da Golden Dawn — e você pode conferir a conta.

por Sophie Pyxis06/10/20264 min de leitura
Como a carta do dia é escolhida: quinários, decanatos e a ordem caldeia

A carta que aparece todos os dias na página inicial da Pyxis não sai de um sorteio. Ela ocupa uma posição fixa numa roda de 365 dias, e quem tiver a tabela na mão chega ao mesmo resultado. É por isso que ela é a carta de todo mundo: o dia é público, e a conta também.

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Se você gosta de saber por que uma coisa é como é, este texto entrega a resposta — e a carta de hoje já está esperando por você.

Primeira camada: os 36 decanatos

Os decanatos começam no Egito. Muito antes do zodíaco grego, os egípcios contavam as horas da noite por 36 grupos de estrelas que nasciam no horizonte em sequência, cerca de dez dias cada um. Esses relógios estelares aparecem pintados em tampas de sarcófagos de cerca de quatro mil anos atrás, e o estudo clássico sobre eles é o de Otto Neugebauer e Richard Parker, Egyptian Astronomical Texts (1960–1969).

A astrologia helenística encaixou os 36 grupos no zodíaco: cada signo de 30° ganhou três faces de 10°. É essa divisão que a Pyxis usa.

Segunda camada: a ordem caldeia

Cada decanato tem um planeta regente, e a sequência segue a ordem caldeia — Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio, Lua, do mais lento ao mais rápido no céu. É a mesma ordem que deu nome aos dias da semana: o historiador Dião Cássio, no começo do século III, explica na História Romana (37.18–19) como os dias receberam os nomes dos planetas a partir dela.

A roda começa no primeiro decanato de Áries, regido por Marte, e segue: Áries 2, Sol; Áries 3, Vênus; Touro 1, Mercúrio; Touro 2, Lua; Touro 3, Saturno; e assim até Peixes 3, de novo Marte (XVI.0.19, 237). A conta fecha de um jeito que dá para conferir no papel: 36 decanatos são a sequência de sete repetida cinco vezes, mais uma — por isso Marte rege seis decanatos e cada um dos outros planetas, cinco (238).

Terceira camada: as cartas menores

No fim do século XIX, a Golden Dawn fixou, no documento conhecido como Book T, uma carta menor do tarô para cada decanato: do 2 ao 10 de cada naipe. Fogo (Áries, Leão, Sagitário) fica com Paus; Água (Câncer, Escorpião, Peixes), com Copas; Ar (Libra, Aquário, Gêmeos), com Espadas; Terra (Capricórnio, Touro, Virgem), com Ouros.

Em cada naipe, o 2, o 3 e o 4 vão para o signo cardinal; o 5, o 6 e o 7, para o fixo; o 8, o 9 e o 10, para o mutável. São exatamente 36 cartas para 36 decanatos (239–242).

Na Pyxis, toda atribuição que vem da Golden Dawn leva a marca [GD]. Você sabe o que é tradição antiga e o que é sistema do século XIX — uma distinção que quase nenhum baralho comercial faz.

A roda de 365 dias

O ano da Pyxis começa no equinócio de março: a roda vai de 20 de março a 19 de março (X.11.0.1, 8). São 360 dias organizados em 72 grupos de cinco, os quinários — dois por decanato —, mais cinco dias fora do círculo, como no calendário egípcio antigo, que também fechava o ano com cinco dias à parte (11).

Cada dia do quinário traz um tipo de presença, sempre na mesma ordem: um dos 72 anjos do Shem ha-Mephorash, o daemon da Goetia que o manuscrito de Thomas Rudd põe sob ele, o espírito olímpico do planeta do decanato, uma deidade e, alternadamente, a inteligência ou o espírito do planeta (12). Saber a data é saber que carta rege o dia, e por quê (13).

O que você recebe com isso

Quando a Pyxis mostra «Marte · Escorpião · Água · quinário 43», ela não está inventando um clima para o seu dia. Está lendo uma posição numa roda que você pode conferir, linha por linha, contra as fontes.

O próximo passo

A carta de hoje já está calculada.

— Sophie Pyxis

Fontes: Otto Neugebauer e Richard A. Parker, Egyptian Astronomical Texts (1960–1969); Dião Cássio, História Romana 37.18–19; Golden Dawn, Book T; Pyxis, X.11.0.1 (8–13); XVI.0.19 (235–242)
Sophie Pyxis

Sophie Pyxis
Fundadora e CEO da Pyxis, empresa brasileira de tecnologia e cartografia simbólica: autora da obra Pyxis Magicarum Geodaetica (76 volumes) e do Cartarium Pyxidis. Taróloga e bruxa hecatina desde 2022; estuda os grimórios nas fontes e a pesquisa acadêmica sobre eles. Geofísica (USP), técnica em Geodésia e Cartografia (Unicamp): daí o nome — pyxis, a bússola.
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