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Picatrix: o manual de magia astral que atravessou o Mediterrâneo

Escrito em árabe na al-Andalus, traduzido na corte de Alfonso X e lido por Ficino e Agrippa, o Picatrix é a base da magia astral do Ocidente. Entenda a história — e como usar o tempo a seu favor.

por Sophie Pyxis13/10/20264 min de leitura
Picatrix: o manual de magia astral que atravessou o Mediterrâneo

Se existe um livro que explica de onde vem a ideia de que o céu tem hora certa para cada coisa, é o Picatrix. Durante séculos ele circulou em manuscrito pela Europa, copiado com cuidado e citado com cautela. Hoje é estudado em universidades — e continua por trás de boa parte do que a astrologia mágica pratica.

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Se você já escolheu uma sexta-feira para começar algo ou esperou a Lua mudar de fase, você já usou uma ideia que passou por este livro. A diferença é saber de onde ela vem.

Quem escreveu

O título árabe é Ghāyat al-Ḥakīm, «O objetivo do sábio». O livro foi escrito na al-Andalus, a Península Ibérica muçulmana, provavelmente no século X ou XI. Durante muito tempo foi atribuído ao astrônomo andaluz al-Majrīṭī — por isso os catálogos falam em «Pseudo-Majrīṭī». Estudos de Maribel Fierro (1996) e de Godefroid de Callataÿ e Sébastien Moureau (2016) apontam outro autor: Maslama ibn Qāsim al-Qurṭubī, morto em 964.

Por volta de 1256, a corte de Alfonso X, rei de Castela, mandou traduzi-lo para o castelhano; da versão castelhana saiu a latina, o Picatrix que a Europa leu. A edição crítica do latim é a de David Pingree (Warburg Institute, 1986), e a tradução inglesa de referência, a de Dan Attrell e David Porreca (Penn State University Press, 2019).

O que ele ensina

O Picatrix tem quatro livros, e a ideia que atravessa todos é a mesma: o mundo de baixo responde ao de cima. Pedras, plantas, cores, perfumes e imagens têm afinidade com planetas e estrelas, e uma obra feita no momento certo, com a matéria certa, recebe a virtude daquele céu.

Por que ele importa até hoje

O Picatrix é uma das pontes pelas quais a ciência e a magia do mundo árabe chegaram ao Renascimento. Liana Saif, em The Arabic Influences on Early Modern Occult Philosophy (2015), mostra como essa herança — o Picatrix e o tratado Sobre os raios, atribuído a al-Kindī — está por trás da magia astral de Marsilio Ficino e de Agrippa.

Quem escolhe o dia de um planeta para começar algo, ou espera a hora planetária certa, está muitas vezes seguindo essa linha sem saber.

O que a Pyxis faz com isso (e o que não faz)

A Pyxis usa essa tradição para uma coisa: ler o tempo. Que planeta rege o dia, por onde passa a Lua, que trânsitos tocam o seu mapa. O Picatrix também traz obras feitas para prejudicar pessoas; a Pyxis não ensina nenhuma delas.

O próximo passo

Se você gosta de saber de onde vem o que pratica, a Pyxis foi feita para você.

— Sophie Pyxis

Fontes: Picatrix, ed. David Pingree (Warburg Institute, 1986); trad. Dan Attrell e David Porreca (Penn State University Press, 2019); Maribel Fierro, Studia Islamica 84 (1996); Godefroid de Callataÿ e Sébastien Moureau, Al-Qanṭara 37 (2016); Liana Saif, The Arabic Influences on Early Modern Occult Philosophy (2015)
Sophie Pyxis

Sophie Pyxis
Fundadora e CEO da Pyxis, empresa brasileira de tecnologia e cartografia simbólica: autora da obra Pyxis Magicarum Geodaetica (76 volumes) e do Cartarium Pyxidis. Taróloga e bruxa hecatina desde 2022; estuda os grimórios nas fontes e a pesquisa acadêmica sobre eles. Geofísica (USP), técnica em Geodésia e Cartografia (Unicamp): daí o nome — pyxis, a bússola.
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