O Cartarium Pyxidis: 368 cartas construídas sobre grimórios reais
72 anjos, 72 daemons, olímpicos do Arbatel, decanatos da Golden Dawn: cada camada do Cartarium tem fonte. Veja como o baralho foi construído — e o que você abre em cada plano.

Muito oráculo se apresenta como «antigo» e não diz de onde vem. O Cartarium Pyxidis faz o contrário: é uma composição moderna, e cada coluna de cada carta diz de que fonte saiu.
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Se você estuda grimórios, é o baralho que conversa com a sua estante. Se você atende, é um instrumento que você pode explicar ao consulente sem inventar tradição.
O baralho
São 368 cartas impressas em preto sobre branco, no tamanho de uma carta de tarô. A frente de cada carta é uma pequena página com trinta e seis elementos; o verso, igual em todas, é a bússola da Pyxis, sem texto, para que nenhuma carta se distinga pelas costas (X.11.0.1, 5).
- a carta 0;
- as cartas 1 a 365, uma para cada dia do ano da Pyxis, de 20 de março a 19 de março;
- duas cartas fora da roda (7–10).
Das 365, 360 formam 72 quinários de cinco dias. As outras cinco são os dias epagômenos — Osíris, Hórus, o Antigo, Set, Ísis e Néftis (11) —, os mesmos cinco deuses que, segundo Plutarco (Sobre Ísis e Osíris, 12), nasceram nos cinco dias que os egípcios acrescentavam ao fim do ano.
As camadas, e de onde vem cada uma
Os 72 anjos. Os nomes vêm do Shem ha-Mephorash, o «Nome explícito» da tradição cabalística medieval: 72 nomes de três letras, de onde se derivaram 72 anjos.
Os espíritos da Goetia. Boa parte da lista já aparece no Pseudomonarchia daemonum de Johann Weyer, de 1577, e ganha a forma de 72 espíritos na Goetia inglesa do século XVII.
O pareamento de Rudd. No manuscrito Harley 6483, da British Library, ligado ao nome de Thomas Rudd (c. 1583–1656), cada um dos 72 espíritos fica sob o anjo de mesmo número. A edição moderna é a de Stephen Skinner e David Rankine, The Goetia of Dr Rudd (2007). A atribuição a Rudd é discutida pelos estudiosos, e a Pyxis registra essa dúvida (IV.1.2, 18–21).
Os olímpicos. Os sete governadores planetários do Arbatel, impresso em Basileia em 1575.
Os decanatos e as cartas menores. A divisão em 36 decanatos, de origem egípcia, e a carta menor de cada um, fixada pela Golden Dawn no fim do século XIX (como a carta do dia é escolhida).
Cada coluna da carta traz a marca da camada que a sustenta (X.11.0.2, 23–24): o que é manuscrito antigo, o que é Golden Dawn, o que é estudo moderno e o que é adaptação da Pyxis. Você nunca precisa adivinhar se uma correspondência é tradição ou invenção.
O que há num quinário
Os cinco dias de cada quinário trazem, sempre nesta ordem: o anjo; o daemon de mesmo número, pelo pareamento de Rudd; o espírito olímpico do planeta do decanato; uma deidade; e, alternadamente, a inteligência ou o espírito do planeta (X.11.0.1, 12). As inteligências e os espíritos planetários vêm das tábuas de Agrippa, no capítulo 22 do livro II de De occulta philosophia (1533).
O que o Cartarium não é
- Não é horóscopo. Não diz o que o dia trará; diz de que o dia é feito e faz uma pergunta a quem lê (X.11.0.2, 16).
- Não é um segundo tarô. Cada carta cita uma carta do tarô e a lê pela regra do tarô, mas não substitui o seu baralho (17–18).
- Não é uma fonte antiga. Usa material de fontes reais, mas o conjunto é composição da Pyxis, e diz isso em cada carta (23–24).
- Não chama ninguém. As cartas são papel e tinta: ler a carta de um anjo não é chamar o anjo (X.11, 1; X.11.0.2, 19–22).
O que você abre em cada plano
No Free, a carta que rege o dia, com o nome, o epíteto, o oráculo e a pergunta. No Basic, o baralho inteiro: as 368 cartas com a página completa — mito, luz e sombra, rito do espírito —, as 28 mesas de tiragem e a sua carta de energia. No Full, a Sacerdotisa da Bússola lê cada mesa por inteiro, carta a carta, com cada afirmação ligada à fonte.
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— Sophie Pyxis

Sophie Pyxis
Fundadora e CEO da Pyxis, empresa brasileira de tecnologia e cartografia simbólica: autora da obra Pyxis Magicarum Geodaetica (76 volumes) e do Cartarium Pyxidis. Taróloga e bruxa hecatina desde 2022; estuda os grimórios nas fontes e a pesquisa acadêmica sobre eles. Geofísica (USP), técnica em Geodésia e Cartografia (Unicamp): daí o nome — pyxis, a bússola.
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